Crédito: Elizabete Guimarães / ALMG

Deputado Lucas Lasmar defende regulação da inteligência artificial no trabalho dos nutricionistas

Um idoso norte-americano buscava uma alternativa para reduzir o sal da dieta. Hipertenso, recorreu à inteligência artificial em busca de uma sugestão rápida. A resposta do ChatGPT parecia convincente: substituir o cloreto de sódio pelo brometo de sódio. O que ele não sabia é que a substância é tóxica — e tampouco recebeu qualquer alerta da IA. Durante três meses, manteve a substituição e acabou internado com uma intoxicação grave, conhecida como bromismo. Sofreu alucinações, paranoia e só recuperou a saúde após um longo período de tratamento. O caso, publicado em uma revista científica americana, serviu de alerta durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (10) pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), solicitada pelo deputado estadual Lucas Lasmar (Rede).

Nutricionistas alertam para riscos da IA sem supervisão

Profissionais da área reforçaram que a inteligência artificial pode gerar informações aparentemente corretas, mas sem base científica e sem considerar a individualidade do paciente.

“A IA vai nos dar uma informação padrão. Mas não traz humanidade e escuta ativa, tão importantes para a mudança no estilo de vida do paciente”, afirmou a professora Márcia Pinheiro, mestre em Nutrição pela USP.

Beatriz Carvalho, coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Coletiva do Conselho Regional de Nutrição (CRN-9), destacou a urgência da regulamentação:

“O caso do idoso americano mostra como a desinformação pode colocar vidas em risco.”

Lucas Lasmar defende IA apenas como ferramenta complementar

O deputado Lucas Lasmar reforçou que a IA deve ser usada apenas de forma complementar, nunca substituindo o trabalho do nutricionista. Minas Gerais conta com 20,5 mil profissionais na área, responsáveis por um cuidado que alia ética, ciência e humanidade.

O parlamentar apresentou um projeto de lei que limita o uso da IA na saúde a funções administrativas, como integração de sistemas e prontuários, visando maior eficiência no SUS. Ele alertou para os riscos de planos alimentares gerados sem acompanhamento profissional:

“Podem causar carências nutricionais, dietas da moda e até transtornos alimentares.”

Atuação contínua em defesa da nutrição

Lucas Lasmar já promoveu diversas ações e projetos em defesa da nutrição:

PL 1860/2023: regula a oferta de alimentos no ambiente escolar;

PL 2880/2024: propõe o uso da inteligência artificial apenas em funções administrativas da saúde pública;

PL 2702/2024: garante alimentos in natura a pacientes internados em hospitais;

PL 2720/2024: determina dieta especial para pessoas com doença celíaca em hospitais do Estado;

PL 4064/2025: cria normas sobre o uso de corantes artificiais.

“Tenho caminhado ao lado da categoria para transformar demandas em políticas públicas. Além desta audiência, já havíamos realizado outra em agosto de 2024, debatendo os riscos dos ultraprocessados nas escolas”, afirmou o deputado.

Para Lucas Lasmar, o avanço da inteligência artificial reforça a importância do papel do nutricionista:

“Apenas o nutricionista garante cuidado clínico, psicológico e humano. É esse vínculo que protege e assegura a saúde do paciente.”

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