Centro de hemodiálise de Oliveira completa 3 anos com 43 mil sessões e vira referência regional
- 26/03/2026 às 10h
- Maya Sangawa
O Centro de Hemodiálise Avançada da Santa Casa de Oliveira completa três anos em março de 2026 com números importantes: mais de 43 mil sessões realizadas desde a inauguração, em 2023, segundo dados do DataSUS. Desde então, nove pacientes atendidos pelo serviço já foram submetidos a transplante renal.
O serviço consolidou-se como referência regional no atendimento a pacientes renais crônicos e mudou a rotina de moradores de oito municípios. A estrutura conta com 903 metros quadrados e 45 máquinas em funcionamento.
A hemodiálise é um tratamento longo e desgastante, realizado geralmente três vezes por semana em sessões de cerca de quatro horas. Antes de o serviço chegar a Oliveira, muitos pacientes enfrentavam viagens semanais para Campo Belo ou até mesmo São Paulo, para colocação da fístula, o acesso vascular essencial para o início do tratamento.
A demanda por esse tipo de serviço só cresce no Brasil. Em dezembro de 2025, mais de 170 mil pessoas estavam em tratamento de diálise no país, contra 156 mil em 2024, um aumento de 9,2% em um ano. Segundo a Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante, cerca de 230 mil brasileiros necessitem do tratamento, o que significa que mais de 60 mil ainda estão sem acesso. Dos 898 centros de diálise em atividade no país, a maioria está concentrada nas regiões Sul e Sudeste: esta última responde por quase metade dos pacientes atendidos.
Foi nesse cenário que a implantação da hemodiálise em Oliveira começou a tomar forma, em 2021. O processo teve como articulador o então secretário municipal de Saúde Lucas Lasmar, hoje deputado estadual. Ele trabalhou pela estruturação do serviço junto à direção e à Junta Interventora da Santa Casa, captando emendas parlamentares junto ao deputado federal Paulo Abi-Ackel, juntamente com recursos da Prefeitura, para atender uma demanda histórica da região.
“Três anos de hemodiálise em Oliveira são uma vitória da população. Para os pacientes e suas famílias, isso significa menos horas na estrada, mais tempo em casa e o alívio de saber que o cuidado especializado está, finalmente, mais perto de onde precisam estar”, disse Lasmar.
O centro de hemodiálise entrou em operação sem ainda ter o credenciamento federal. Sem o reconhecimento do Ministério da Saúde, não havia repasse da União, e a capacidade de atendimento era limitada. O custo mensal de cerca de R$ 200 mil com o tratamento era bancado pela Santa Casa e pela prefeitura. Lucas Lasmar e o gestor do hospital Ramon Gonçalves foram a Brasília articular a habilitação federal, que veio em setembro de 2023, garantindo um financiamento anual de R$ 7 milhões.
O caminho aberto pela hemodiálise serviu de modelo para um novo avanço: a implantação do serviço de oncologia no mesmo hospital. A história se repete: o atendimento a pacientes com câncer começou em dezembro de 2025, mesmo antes da habilitação federal, sustentado por recursos próprios e, sobretudo, por emendas parlamentares. Os custos mensais, da ordem de R$ 500 mil, exigem uma articulação política contínua do deputado Lucas Lasmar que, em parceria com o senador Rodrigo Pacheco e o deputado federal Paulo Abi-Ackel, viabilizaram a destinação de mais de R$ 10 milhões para a Santa Casa, para o início e a manutenção do serviço.
Desde janeiro de 2025, o serviço de oncologia já realizou centenas de internações, cirurgias e atendimentos especializados, além de atender dezenas de pacientes em quimioterapia. O próximo passo é o credenciamento como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) pelo Ministério da Saúde, o que vai assegurar um financiamento contínuo, com um aporte federal anual de até R$ 6,4 milhões, permitindo que a Santa Casa possa atender cada vez mais pacientes.