Deputado Lucas Lasmar apresenta projeto para garantir passagem livre de ambulâncias no pedágio
- 01/07/2026 às 16h
- Maya Sangawa
Imagine uma ambulância transportando um paciente em estado grave. A sirene ligada, a equipe correndo contra o tempo — e, no meio do caminho, uma parada obrigatória numa praça de pedágio. Por mais absurdo que pareça, essa é uma realidade enfrentada diariamente por equipes do SAMU em Minas Gerais.
“Mesmo durante o transporte de pacientes entubados e gestantes de alto risco, somos obrigados a parar na cabine manual para liberar a passagem. Quando a vida de alguém depende de minutos, qualquer atraso preocupa”, relata o condutor socorrista Benício Lopes, do CIS-URG Oeste, consórcio responsável pelo SAMU em 66 municípios da região Centro-Oeste e Micro Centro de Minas.
Segundo o coordenador de frotas Arthur Medeiros, o problema afeta 53 ambulâncias que circulam 24 horas por dia pelas BRs 262, 040 e 381 e pela MG-050. “Todos os veículos já são cadastrados e rastreados, mas a passagem automática não acontece. As concessionárias alegam que garantem a isenção do pedágio nas cabines manuais, mas que as cabines automáticas são gerenciadas por empresas terceirizadas — e que a instalação de TAGs é prerrogativa exclusiva das Operadoras de Serviços de Arrecadação, como Sem Parar, Conectcar, Veloe, Move Mais e Taggy”, explica.
Para mudar esse quadro, o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) apresentou o Projeto de Lei nº 5.774/2026 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A proposta desobriga ambulâncias públicas e privadas de parar nas praças de pedágio das rodovias estaduais concedidas e exige das concessionárias a adoção de cancelas automáticas e sistemas eletrônicos de identificação, sob pena de sanções contratuais e administrativas. Em paralelo, Lasmar encaminhou ofício ao DNIT e pedido de providências à Artemig para que as mesmas regras se apliquem às rodovias federais e à MG-050.
“Não faz sentido uma ambulância perder tempo parada num pedágio enquanto transporta alguém que precisa de socorro imediato. Estamos falando de vidas”, afirmou o parlamentar. Lasmar tem história com o tema: em 2017, como secretário municipal de Saúde de Oliveira, sua primeira obra à frente da pasta foi a implantação de uma base do SAMU no município. Desde então, a unidade recebeu mais de 47 mil chamados e realizou mais de 23 mil atendimentos com ambulância.
Para os profissionais do resgate — e para quem aguarda socorro do outro lado da linha — essa mudança não pode tardar.
