
Lucas Lasmar cobra solução definitiva para mau cheiro da ETE Bananeiras em audiência pública
Lucas Lasmar cobra solução para o mau cheiro da ETE Bananeiras, em Conselheiro Lafaiete, e propõe cláusula no contrato renovado com a Copasa.
Há 16 anos, moradores de Conselheiro Lafaiete convivem com um problema que vai muito além do mau cheiro. O odor vindo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Bananeiras, no Bairro Cidade Satélite, é apontado pela população como causa de transtornos à saúde, constrangimentos, prejuízos ao comércio e desvalorização dos imóveis.
A situação foi discutida nesta segunda-feira (10/8), em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), solicitada pelo deputado estadual Lucas Lasmar (Rede). Moradores, representantes da Copasa e da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG) participaram do debate, que ocorreu poucos dias depois da divulgação de um novo laudo pericial sobre a estação.
O documento, concluído em agosto de 2026, confirmou a procedência das reclamações e apontou que a ETE Bananeiras possui potencial técnico contínuo para gerar emissões de odores em sua área de influência. O laudo também registra que as residências mais próximas ficam a aproximadamente 100 metros das estruturas operacionais e dos leitos de secagem de lodo.
Um problema que começou há 16 anos
Inaugurada em 2010, a ETE Bananeiras foi construída para ampliar o tratamento de esgoto de Conselheiro Lafaiete. Desde então, moradores dos bairros Cidade Satélite, São Benedito, Santa Terezinha, Barreira e de comunidades próximas relatam episódios recorrentes de mau cheiro.
O odor, frequentemente comparado ao cheiro de ovo podre, é associado à emissão de gás sulfídrico (H₂S), produzido durante o tratamento do esgoto. O problema se intensifica principalmente à noite e durante o inverno, quando ocorre a inversão térmica, além de variar conforme a direção dos ventos.
Durante a audiência, moradores relataram problemas respiratórios e outros impactos sobre a saúde. Também falaram sobre o constrangimento de receber familiares e amigos em casa por causa do cheiro, além da desvalorização dos imóveis e dos prejuízos enfrentados pelo comércio.
Segundo os relatos apresentados na audiência, o odor afasta clientes de estabelecimentos comerciais e alguns chegaram a fechar as portas. O cheiro também provoca constrangimentos para moradores, inclusive crianças, que seriam alvo de bullying por causa do odor impregnado nas roupas.
Reclamações se acumulam desde a inauguração
A audiência também recuperou a trajetória das reclamações. Apenas um ano depois de a estação entrar em funcionamento, moradores já haviam recorrido à Justiça. Em 2013, um laudo da própria Arsae-MG constatou o problema.
Desde então, decisões judiciais, acordos e sucessivos laudos técnicos apontaram que o problema persiste.
Em 2018, a Copasa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Minas Gerais e o município para reduzir a emissão de gases na estação. Como as medidas não foram suficientes para solucionar o problema, moradores voltaram a recorrer à Justiça.
Em uma das ações, a Copasa foi condenada a indenizar moradores por danos morais, depois que a empresa não comprovou a eficácia das medidas adotadas para controlar os odores.
Durante a audiência, Lucas Lasmar apresentou uma linha do tempo sobre o problema e destacou a sequência de reclamações, medidas adotadas e estudos que apontam a permanência dos impactos sobre a população.
Copasa anuncia R$ 36,8 milhões, mas obras só começam em 2028
A Copasa anunciou investimento de R$ 36,8 milhões para modernizar a ETE Bananeiras. O cronograma prevê o início das obras em 2028 e a conclusão em 2030.
O prazo provocou insatisfação entre moradores, que convivem com o problema desde a inauguração da estação e defendem medidas capazes de reduzir o mau cheiro antes da conclusão da obra.
Durante a audiência, Lucas Lasmar também questionou a opção de manter a estrutura no mesmo local e aguardar mais quatro anos pela conclusão da modernização.
“Com esse valor é possível construir outra ETE, em outro local. A empresa vai persistir no erro? É inconcebível mais quatro anos vivendo assim”, afirmou o deputado.
Outra preocupação apresentada pela comunidade é a construção de novos leitos de secagem de lodo. Os moradores temem que a ampliação dessa estrutura, apontada como uma das fontes de emissão de gases odoríferos, possa agravar ainda mais o problema.
Copasa aposta em mudança no tratamento
Representantes da Copasa afirmaram durante a audiência que a empresa está sensível às reclamações da população e busca alternativas para identificar e reduzir o mau cheiro.
A companhia informou ter firmado uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para fazer uma medição mais precisa dos odores, por meio de sensores, e estudar formas de reduzir as emissões. Entre as alternativas avaliadas está o aprimoramento do sistema de biofiltro.
A Copasa também explicou que pretende remodelar o processo de tratamento utilizado nas estações de esgoto.
Atualmente, a ETE utiliza um sistema anaeróbio, em que as bactérias responsáveis pela decomposição da matéria orgânica atuam sem oxigênio. A proposta é substituir o processo pelo sistema aeróbio, com oferta de oxigênio.
Segundo a companhia, com a mudança, as bactérias deixarão de produzir gás sulfídrico, o que eliminaria o mau odor gerado pelo processo de tratamento.
Arsae sugere pressão sobre Prefeitura
Durante a audiência, o gerente de Fiscalização Operacional da Arsae-MG, Lucas Pessoa, informou que uma nova fiscalização será realizada na ETE Bananeiras. Segundo ele, a agência já fez inspeções na estação.
O representante explicou que o mau cheiro pode ter diferentes causas, como vazão acima do esperado, problemas no tratamento e lançamento de esgoto não doméstico.
Lucas Pessoa também apontou um caminho que pode ser aproveitado pela comunidade para buscar uma solução mais efetiva: a renovação dos contratos dos municípios com a Copasa, que estão sendo revisados e recebendo aditivos em razão do processo de desestatização da companhia.
A orientação apresentada na audiência foi para que a comunidade pressione o município nesse momento de renovação contratual.
A partir dessa discussão, Lucas Lasmar propôs que seja marcada uma reunião com o prefeito de Conselheiro Lafaiete, vereadores e uma comissão formada por moradores dos bairros afetados.
Deputado quer cláusula para eliminar o mau cheiro
A proposta de Lasmar é que a renovação do contrato com a Copasa estabeleça, de forma expressa, a eliminação do mau odor da ETE Bananeiras como uma obrigação da companhia.
A ideia é aproveitar o processo de renovação e aditivos contratuais para transformar a solução do problema em um compromisso formal, e não apenas em uma promessa de obras ou estudos.
Para o deputado, a comunidade precisa participar diretamente dessa discussão e cobrar que a eliminação do mau cheiro esteja entre as condições negociadas pelo município com a Copasa.
A proposta também cria uma nova frente de cobrança: além da fiscalização da Arsae e das medidas anunciadas pela Copasa, a Prefeitura passa a ter papel central na negociação das condições do contrato renovado.
Moradores não querem esperar até 2030
Ao longo da audiência, ficou claro que a principal preocupação da comunidade é o tempo. A população já convive com o problema há 16 anos e não quer esperar até 2030 para ter uma solução.
“O sentimento é de ser enganado pela Copasa. Os moradores sempre pagam a conta”, afirmou o vereador Pastor Angelino (PRD), morador do Bairro Cidade Satélite e um dos responsáveis pela mobilização em torno do debate.
O líder comunitário Fabiano Teixeira também manifestou preocupação com a construção de novos leitos de secagem de lodo e com a possibilidade de aumento das emissões de odor.
A audiência, portanto, terminou com uma cobrança que vai além da modernização da estação. A comunidade quer medidas imediatas para reduzir o mau cheiro e uma garantia de que a solução definitiva será incorporada às obrigações da Copasa.
