Deputado Lucas Lasmar apoia programa que amplia acesso à tecnologia para crianças e jovens com diabetes tipo 1diabetes tipo 1
- 29/06/2026 às 11h
- Maya Sangawa
Há menos de um ano, a rotina da estudante Mayze Emanuele, de 17 anos, mudou completamente. Durante um exame de rotina, ela recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1. Vieram então as dúvidas, a insegurança e a necessidade de monitorar a glicemia diversas vezes ao dia.
“Eu tinha que furar o dedo umas oito vezes por dia. Também tinha medo de ter uma hipoglicemia durante a noite”, lembra.
A realidade começou a mudar quando ela passou a utilizar um sensor de monitoramento contínuo de glicose, equipamento que acompanha os níveis de açúcar no sangue em tempo real e emite alertas em situações de risco. O problema era o custo: cada sensor precisa ser substituído a cada 15 dias e custa cerca de R$ 329.
Hoje, Mayze recebe o dispositivo gratuitamente por meio do programa Glicemia no Alvo, implantado pela Prefeitura de Barroso com recursos destinados pelo deputado estadual Lucas Lasmar (Rede): R$ 50 mil em 2025 e mais R$ 50 mil em 2026.
“Agora durmo mais tranquila. O aparelho avisa quando a glicemia baixa e meus pais também conseguem acompanhar. Aprendi a contar carboidratos e hoje me alimento melhor e controlo a doença”, conta.
A comerciante Janaína Teixeira viveu experiência semelhante quando a filha foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos nove anos.
“É uma mudança muito grande. É preciso adaptar a alimentação e fazer medições constantes. Para uma criança, ficar furando o dedo o tempo todo é muito difícil”, relata.
Há um mês, a filha passou a integrar oficialmente o programa após sete meses utilizando o sensor. Os benefícios foram imediatos.
“À noite, o celular apita e consigo aplicar insulina e agir rapidamente. Antes era uma despesa muito pesada para quem tem três filhos”, afirma.
Ela também chama atenção para a falta de informação sobre a doença.
“Muitas pessoas perguntam se ela ficou diabética porque comeu muito doce. Nas escolas, ainda é comum premiar crianças com balas e chocolates. Falta conhecimento sobre o diabetes tipo 1.”
Mais do que tecnologia: educação e qualidade de vida
Lançado em 2 de junho, o programa atende atualmente 13 famílias de Barroso. Além da distribuição gratuita dos sensores FreeStyle Libre 2 Plus para pacientes de 2 a 19 anos acompanhados pelo SUS, a iniciativa oferece acompanhamento multiprofissional e orientações periódicas sobre contagem de carboidratos, atividade física e prevenção de complicações.
A liderança política Ariane destaca que o programa vai além do monitoramento da glicose.
“O programa Glicemia no Alvo representa muito mais do que o acompanhamento dos níveis de glicose. É uma ferramenta de educação, conscientização e cuidado que promove mais qualidade de vida para as pessoas com diabetes. Por meio da orientação adequada, do monitoramento contínuo e do incentivo ao autocuidado, ajudamos pacientes e famílias a compreender melhor a doença e a tomar decisões mais seguras no dia a dia”, afirma.
Segundo ela, manter a glicemia dentro da meta significa prevenir complicações e garantir mais autonomia aos pacientes.
“Como diabética, conheço as dificuldades de lidar diariamente com tantas decisões que a doença exige. Por isso, acredito que iniciativas e investimentos voltados para a qualidade de vida e para a atenção primária são fundamentais.”
Conscientização na Assembleia Legislativa
O apoio à causa também chegará à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A pedido de Lucas Lasmar, o prédio da ALMG será iluminado de azul entre os dias 26 e 30 de junho, em referência ao Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho.
No último dia da iluminação, 30 de junho, o Instituto Tipo 1 realizará uma ação de conscientização na Assembleia. A programação inclui distribuição de material informativo e aferição gratuita de glicemia para servidores, visitantes e demais interessados.
A iniciativa foi solicitada ao parlamentar pela presidente do Instituto Tipo 1, Luciana Mourão, cuja filha foi diagnosticada com a doença aos sete anos.
“Na época, enfrentamos muita falta de informação e pouco acolhimento. Hoje sabemos o quanto o diagnóstico precoce e o acesso à tecnologia fazem diferença na qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1”, afirma.
A ação também busca ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas ao acesso a tecnologias de monitoramento contínuo da glicose. *Em Belo Horizonte, o Instituto Tipo 1 acompanha e defende a implementação da legislação que garante o fornecimento de sensores de monitoramento contínuo da glicose pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atuando para que esse direito saia do papel e chegue efetivamente às pessoas que dependem dessa tecnologia para o controle diário da doença.
“Não basta que a lei exista. É preciso que ela seja implementada e que as pessoas tenham acesso ao que foi garantido. O monitoramento contínuo representa mais segurança, mais autonomia e melhor qualidade de vida para quem convive com o diabetes”, destaca Luciana Mourão.*
Diabetes tipo 1 em Minas Gerais
Dados do T1D Index 2025 estimam que Minas Gerais tenha cerca de 52 mil pessoas vivendo com diabetes tipo 1, o equivalente a aproximadamente uma pessoa a cada 400 habitantes.
O levantamento aponta ainda uma estimativa de mais de 25 mil mortes prematuras relacionadas à doença e suas complicações ao longo dos anos. Caso essas mortes fossem evitadas, o estado poderia ter atualmente cerca de 77 mil pessoas vivendo com diabetes tipo 1.
Outro dado que chama atenção é o impacto da doença ao longo da vida. Segundo o estudo, uma criança diagnosticada aos 10 anos perde, em média, mais de 34 anos de vida saudável devido às complicações associadas ao diabetes tipo 1. O relatório destaca que o acesso ao diagnóstico precoce, à insulina, aos insumos para monitoramento e às novas tecnologias tem potencial para reduzir significativamente esse impacto.
Em Belo Horizonte, estima-se que cerca de 6 mil pessoas convivam com a doença, sendo aproximadamente 2 mil crianças e adolescentes.
Para Lucas Lasmar, iniciativas como a de Barroso demonstram que é possível melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes por meio da combinação entre tecnologia, informação e acompanhamento adequado.
“Quando garantimos acesso à tecnologia, informação e acompanhamento adequado, estamos prevenindo complicações graves e proporcionando mais segurança para crianças, adolescentes e seus familiares. É um investimento que gera benefícios para toda a sociedade e economia para o SUS”, afirma o deputado.
