Deputado Lucas Lasmar denuncia caos no novo sistema de transferência hospitalar do SUS em Minas Gerais
- 12/06/2026 às 12h
- Maya Sangawa
No último domingo (07 de junho), a Prefeitura de Mar de Espanha, na Zona da Mata mineira, decretou luto oficial de três dias pela morte da psicóloga municipal Rebeca Cardoso Tenente Molina, de 32 anos, mãe de gêmeos e servidora pública. A tragédia teve início na terça-feira (02), quando ela deu entrada no Pronto Atendimento de São João Nepomuceno em estado gravíssimo. Intubada na sala vermelha, precisou de ordem judicial para conseguir uma vaga na Santa Casa de Oliveira. Diante da ausência do helicóptero estatal prometido, foi transferida em avião particular, mas não resistiu, falecendo no sábado (06) logo após dar entrada no hospital da cidade.
O caso de Rebeca não é isolado. Desde 19 de maio, o Core-Regulação 4.0 substituiu o SUSFácil — plataforma usada há duas décadas para regular vagas hospitalares no SUS em Minas Gerais. A transição foi abrupta, sem treinamento adequado dos médicos reguladores nem diálogo suficiente com os hospitais. O resultado virou tragédia cotidiana no interior do estado: uma grávida de Arcos foi encaminhada para Governador Valadares, a mais de 500 km; em Nanuque, três pacientes — um deles entubado — foram transferidos para Diamantina, a 700 quilômetros, sem vaga disponível; em São Sebastião do Paraíso, um paciente esperou 24 horas e foi direcionado para Alfenas, Campestre e Itamogi, menos para a cidade onde mora.
Para averiguar as denúncias, o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) realizou uma visita técnica à Central de Regulação em Belo Horizonte, onde constatou que o histórico clínico registrado no SUSFácil, incluindo dados de pacientes com câncer, não foi migrado para a nova plataforma, comprometendo decisões urgentes. Lasmar também identificou a contratação de médicos recém-formados sem experiência na rede pública e sem conhecimento da estrutura hospitalar do interior. Os problemas não se restringem ao interior: o Hospital Risoleta Tolentino Neves, a Santa Casa de BH e o Hospital da Baleia também relataram falhas de comunicação com o novo sistema.
Desde 2023, o deputado de Oliveira vem discutindo a necessidade de melhorias no sistema de regulação de leitos no SUS, realizando audiências públicas e questionando a Secretaria de Estado de Saúde. Em 2025, já havia representado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) pedindo a suspensão da implantação do Core e um estudo mais detalhado antes de sua entrada em operação — alerta que, ignorado à época, ganha contornos ainda mais graves diante dos casos registrados desde maio.
A situação chegou ao Judiciário: uma liminar suspendendo o Core-MG foi expedida em 22 de maio, mas derrubada pelo presidente do TJMG após recurso da Advocacia-Geral do Estado. Lasmar já anunciou a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para cobrar explicações do governo.
Como providência imediata, Lucas Lasmar encaminhou o Requerimento nº 22.157/2026, solicitando ao secretário de Estado de Saúde dados detalhados sobre regulação de urgência e emergência de 2023 a 2026 — tempos de espera, filas, transferências intermunicipais e déficit de leitos por macrorregião. “Não podemos permitir que Minas Gerais vire um laboratório de testes de um sistema que regula a urgência e a emergência de todo o Estado. Quem está sofrendo não é o gestor atrás de uma mesa. É o paciente que espera uma vaga”, afirmou o deputado de Oliveira.
