Deputado Lucas Lasmar cobra segurança urgente na BR-040 em Felixlândia após série de acidentes fatais

Audiência pública na ALMG reúne moradores e autoridades após série de acidentes fatais na rodovia

Em agosto de 2024, a professora de física Jane de Fátima, moradora de Curvelo, seguia para mais um dia de trabalho na Escola Estadual Padre José Gonçalves de Souza, em Felixlândia, quando perdeu a vida em uma colisão com uma caminhonete. A morte da educadora, querida na região, se tornou símbolo de um problema antigo: o alto número de acidentes e mortes na rodovia que corta o município.

No último dia 13 de outubro, moradores, lideranças locais e autoridades se reuniram na Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em uma audiência pública solicitada pelo deputado estadual Lucas Lasmar (Rede). O encontro teve um tom de urgência — e de desabafo.

“A BR-040 virou um corredor de tragédias”

Durante a audiência, o deputado Lucas Lasmar relatou que também correu risco em uma das viagens que fez a Felixlândia. Ele exibiu manchetes de jornais e dados da Polícia Rodoviária Federal para dimensionar o drama vivido pela população: entre 2022 e agosto de 2025, foram 95 acidentes e 22 mortes apenas no trecho de 27 km com seis acessos ao município.

“Esses números não são apenas estatísticas. São vidas que se foram, famílias destruídas. Eu mesmo, em uma das viagens, quase fui mais uma vítima. Precisamos agir agora — não dá para esperar até 2031 para ver as obras prometidas saírem do papel”, afirmou Lasmar, pedindo a antecipação das intervenções previstas no contrato de concessão com a Via Cristais, empresa responsável pela rodovia.

A estrada do medo

Moradores relataram o que é viver às margens de uma das rodovias mais movimentadas do país, por onde passam caminhões, ônibus e veículos de passeio em alta velocidade.

“Eu já vi carro capotar várias vezes, com família dentro. Hoje eu dependo de remédio para dormir, porque à noite é assustador”, contou Rosana Imaculada da Silva Santos, moradora do distrito de São Geraldo do Salto, que fica a poucos metros da BR-040.

No distrito de São José do Buriti, o risco é constante. “O entroncamento com a MG-930 é uma reta de três quilômetros. Os carros passam em altíssima velocidade, e não há trevo nem passarela. Cada travessia é um risco de vida”, alertou um morador local.

O vereador Altino Rodrigues, que quase perdeu o filho em um acidente em 2023, fez um apelo emocionado: “Quantos de nós ainda vamos perder nossos entes queridos para que algo seja feito? É um descaso com o povo de Felixlândia.”

Pedido de socorro

A prefeita de Felixlândia Conceição Bernardino, vereadores e lideranças comunitárias pediram medidas imediatas, como redutores de velocidade, radares e melhor sinalização nos acessos à cidade e às comunidades rurais. “Já foram muitas vidas perdidas. Precisamos de ação, não de promessas”, afirmou uma das participantes da audiência.

Questionada sobre a ausência de radares no trecho de Felixlândia, a concessionária Via Cristais informou que os pontos de fiscalização foram definidos no contrato com o governo federal. No entanto, o gerente de Relações Institucionais, Frederico Souza, prometeu uma visita técnica nos próximos dias para avaliar os locais mais críticos.

“Sabemos da gravidade da situação. Vamos até Felixlândia para analisar as possibilidades de medidas mitigatórias, como a instalação de radares e redutores”, declarou Souza.

O coordenador regional da ANTT, Marcelo Alcides dos Santos, também reconheceu a urgência das reivindicações e afirmou que há possibilidade de ampliar o número de radares na BR-040, caso os estudos em andamento apontem essa necessidade.

Obras previstas para 2031

Pelo contrato de concessão, Felixlândia só deve receber melhorias estruturais em 2031, o sexto ano da concessão. Estão previstas uma rotatória alongada no principal acesso da cidade, faixas marginais nos dois sentidos e pouco mais de um quilômetro de pista adicional. Até lá, o que resta aos moradores é conviver com o medo e a incerteza.

“Cada dia que passa sem ação é um risco a mais para quem depende da BR-040. Estamos falando de vidas humanas, de famílias que sofrem. Felixlândia não pode esperar”, concluiu o deputado Lucas Lasmar.