Crédito: Daniel Protzner / ALMG
Deputado Lucas Lasmar alerta sobre fechamento de leitos do Hospital Infantil João Paulo II em BH
- 03/09/2025 às 11h32
- Maya Sangawa
O deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) alertou para os riscos ao atendimento pediátrico em Minas Gerais após o fechamento de 16 leitos de UTI do Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), em Belo Horizonte. Os pacientes foram transferidos para o Hospital João XXIII, que já enfrenta sobrecarga de demanda.
O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta segunda-feira (1º/9).
Lasmar, que esteve em visita técnica ao João Paulo II na última sexta-feira (29), afirmou que a situação pode repetir o caso do Hospital Maria Amélia Lins, fechado em 2024 e ainda sem previsão de reabertura.
“O João Paulo II é o maior hospital infantil público do Estado, referência em doenças infectocontagiosas e doenças raras. É preciso garantir transparência e, principalmente, que esses leitos voltem a funcionar”, destacou o parlamentar.
Situação dos leitos
Segundo o governo de Minas, os 16 leitos de UTI pediátrica foram fechados em 21 de agosto para obras de modernização, incluindo a instalação do sistema Tasy, adequações elétricas, de rede e ampliação do laboratório. A previsão é de que os trabalhos terminem em 22 de outubro.
Parlamentares que acompanharam a situação relataram redução de seis leitos de trauma pediátrico e acompanhantes em macas improvisadas e cadeiras nos corredores. Servidores denunciaram que a transferência dos pacientes ocorreu sem aviso oficial, apenas com mensagens de WhatsApp, inclusive envolvendo crianças intubadas.
Lasmar criticou a medida:
“O Hospital João XXIII tem função clara: atender urgência e emergência de trauma. Primeiro recebeu os pacientes do Maria Amélia Lins e agora os do João Paulo II. O pronto-socorro não pode virar alternativa para cirurgias eletivas”.
Falta de diálogo e insegurança
Profissionais de saúde e sindicatos reclamaram da falta de comunicação oficial e temem que os leitos não sejam reabertos, como já ocorreu em outras unidades da rede Fhemig. O Ministério Público abriu procedimento para apurar o caso.
Impacto para Minas Gerais
O Hospital Infantil João Paulo II é referência em pediatria, com destaque para doenças raras e infectocontagiosas. Somente em 2024, foram 64.907 atendimentos, 42% deles vindos do interior de Minas.
Entre os pacientes, estavam 49 moradores de Oliveira, atendidos em consultas, urgências e internações.
“Quando falamos do João Paulo II, não falamos apenas de Belo Horizonte. A saúde infantil de todo o Estado está em jogo”, alertou Lasmar.
Próximos passos
A Comissão de Direitos Humanos da ALMG aprovou requerimentos pedindo informações à Fhemig sobre o cronograma das obras e o retorno dos leitos. Também cobrou a convocação de profissionais aprovados em concurso público para suprir a defasagem das equipes de UTI.
Atualmente, dos 31 aprovados em Terapia Intensiva Pediátrica, apenas 13 foram nomeados, sendo 3 em exercício. Pelo menos outros 8 deveriam ser convocados imediatamente para reforçar o Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência.