
O deputado estadual Lucas Lasmar vistoriou na manhã desta segunda-feira (24/11) o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, depois do colapso provocado pelo temporal que atingiu a capital no domingo. Corredores e salas alagadas, pacientes molhados no corredor, profissionais usando sacos de lixo para proteger pessoas em macas e atendimentos suspensos retrataram a gravidade da situação no maior hospital de urgência e emergência de Minas Gerais. Para o parlamentar, o episódio revela “a falta de planejamento e de gestão do Governo do Estado”.
Durante a vistoria, Lasmar se reuniu com o diretor do Complexo de Urgência e Emergência da Fhemig, Fabrício Giarola Oliveira, que apresentou a sala de monitoramento do hospital, onde foi constatada a baixa vazão da água como causa central do alagamento. O gestor informou que equipes já foram acionadas para uma limpeza minuciosa, que a vazão será ampliada em até uma semana e que será entregue um plano de melhorias estruturais e de contingência, construído com participação dos servidores.
O deputado, porém, classificou o que viu como inadmissível, sobretudo porque o período chuvoso está apenas começando.
“Ontem vimos pacientes e profissionais em pânico, água caindo das luminárias, setores inteiros interditados. O Estado não pode esperar o caos para agir.”
Pacientes em risco, hospital operando no limite
Os vídeos gravados por usuários e servidores mostram o João XXIII em situação crítica: água jorrando por luminárias, corredores inundados e equipes correndo entre macas para evitar acidentes. As imagens também revelam áreas escuras, equipamentos expostos e o ambulatório tomado pela água.
Na manhã de segunda-feira, o deputado constatou que o hospital operava parcialmente. Casos leves estavam sendo encaminhados a outras unidades, enquanto ambulâncias precisaram redirecionar pacientes para evitar sobrecarga. Lasmar também foi informado sobre o risco de danos ao tomógrafo da unidade — atingido por água durante o alagamento.
Alagamento poderia ter sido evitado: pedido de limpeza foi ignorado
Um ponto crítico denunciado pelo parlamentar é que o caos poderia ter sido evitado. Servidores solicitaram, ainda no dia 2 de novembro, a limpeza preventiva das calhas, alertando para a previsão de fortes chuvas. O pedido, feito por e-mail interno, foi cancelado.
Lasmar questionou a condução da manutenção: “Se a limpeza é diária, como disseram, por que houve acúmulo de folhas e sujeira suficiente para entupir as calhas? Se a manutenção fosse adequada, isso não teria acontecido.”
Servidores relataram ao deputado temor de novos episódios e riscos à estrutura elétrica do hospital, comprometendo ainda mais a segurança de pacientes e profissionais.
Deputado reforça cobrança e anuncia novas vistorias
Para Lucas Lasmar, o episódio escancara o sucateamento da rede estadual de saúde. “O João XXIII é o maior hospital de urgência de Minas. Ele não pode virar manchete porque choveu dentro. Falta planejamento. Falta gestão.”
O parlamentar afirmou que acompanhará de perto as ações prometidas pela direção e que realizará novas vistorias nas próximas semanas.
A fiscalização continuará, segundo ele, até que o João XXIII tenha condições de garantir atendimento seguro e digno à população.