Moradores de Abaeté denunciam cobrança indevida de tarifa de esgoto em audiência na ALMG

Em audiência pública na ALMG, moradores de Abaeté denunciam cobrança indevida da tarifa de esgoto pela Copasa, mesmo com serviços incompletos e esgoto lançado em córregos usados para agricultura e pecuária.

Moradores de Abaeté denunciam cobrança indevida de tarifa de esgoto em audiência na ALMG


  • 15/04/2025 às 15h

  • Maya Sangawa

Moradores de Abaeté, no Centro-Oeste mineiro, levaram à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (14/04), denúncias graves contra a atuação da Copasa. Em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, a população expôs problemas como cobrança abusiva da tarifa de esgoto, serviço incompleto, lançamento irregular de resíduos em córregos e ausência de fiscalização.

A cobrança é resultado de um contrato firmado em 2016, que autorizava a tarifa apenas após a conclusão das obras de coleta, transporte e tratamento de esgoto. No entanto, uma repactuação feita em 2022, já na gestão do prefeito Ivanir Deladier, antecipou a cobrança, mesmo com a estrutura inacabada. O novo acordo também envolveu o repasse de R$ 8 milhões da estatal para o município, mas parte dos recursos ainda não tem destinação clara.

Casos como o da moradora Arminda Souza, que viu sua conta saltar de R$ 142 para R$ 685, e o do comerciante Cláudio, que teve um aumento de mais de 120%, evidenciam os impactos financeiros na vida dos cidadãos. Muitos que deveriam receber tarifa social, que dá um desconto de 50% no valor, também relataram cobranças integrais.

Além dos valores, a audiência revelou denúncias ambientais. Vídeos exibidos pelo morador Raniel Ribeiro, do movimento Indignados Copasa Abaeté, mostraram o despejo de esgoto sem tratamento em nascentes e cursos d’água como o Ribeirão Marmelada e os córregos Olhos D’Água e dos Cachorros.

O deputado estadual Lucas Lasmar (Rede), que solicitou a audiência, destacou: “A contaminação dos córregos é gravíssima. Essa água é usada em plantações, na pesca e serve também para o gado beber. Isso afeta a saúde da população, a segurança alimentar e coloca em risco toda a cadeia produtiva local.”

O parlamentar defendeu a suspensão imediata da tarifa de esgoto, a devolução dos valores pagos indevidamente e informou que enviou ofícios à Copasa, ao Ministério Público, à ARSAE e ao Tribunal de Contas para investigar os contratos e os danos ambientais.

Entre os participantes da audiência estava o advogado Marcelo Teco, liderança do grupo político Renovação, que enfatizou a ausência de protagonismo da Prefeitura no enfrentamento do problema: “Como o prefeito não assumiu a liderança desse debate, levamos o caso à Assembleia com apoio do deputado Lucas Lasmar. O contrato de 2016 tinha uma cláusula de proteção à população, que foi quebrada em 2022. A audiência foi essencial para ouvir a comunidade e cobrar providências das autoridades competentes.”

Segundo Marcelo Teco, foram solicitadas medidas urgentes, como o ressarcimento aos moradores, fiscalização da ARSAE e investigação do uso dos recursos pela Prefeitura.

Representando a Copasa, o gerente regional Daniel Aguiar afirmou que mais de 10 mil imóveis estão conectados à rede e que a estação de tratamento foi concluída em 2023. Porém, admitiu falhas decorrentes de ligações irregulares e da sobrecarga do sistema em períodos de chuva.

Já o consultor jurídico da Prefeitura, Jarbas Lacerda, tentou justificar a omissão da atual gestão municipal, alegando que a responsabilidade pela fiscalização é da ARSAE, agência reguladora estadual, que não enviou representantes à audiência.

O deputado Lucas Lasmar encerrou a audiência com um apelo: “A Copasa precisa ser responsabilizada pelos danos ambientais e pela cobrança indevida de uma taxa que onera a conta em 74%. Isso afeta a saúde, o alimento e a dignidade do povo de Abaeté.”