Crédito: Maycon Richard / Divulgação

Projeto de Lucas Lasmar busca melhorar funcionamento das estações de tratamento de esgoto

Está em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais um projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) que visa aprimorar o funcionamento das estações de tratamento de esgoto (ETEs) no estado. A proposta prevê a adoção obrigatória de tecnologias que ajudem a controlar odores e o bom funcionamento dos equipamentos utilizados nesse tipo de serviço.

A medida tem como foco garantir que o tratamento de esgoto — essencial para a proteção do meio ambiente e da saúde pública — seja feito de forma eficiente e com o menor impacto possível para a população que vive próxima a essas estruturas.

O projeto busca responder a um desafio que se repete em diversas cidades mineiras: a dificuldade de manter as ETEs operando com regularidade, o que pode resultar em desconforto para os moradores vizinhos. Em Oliveira, por exemplo, relatos de mau cheiro nas imediações da estação, localizada na MGC-369, aumentaram desde o início do ano. Moradores relatam episódios de náuseas, tosse, falta de ar e crises alérgicas, principalmente durante a noite.

O SAAE, responsável pelo serviço no município, informou que o odor pode estar relacionado ao próprio processo biológico de tratamento, que sofre variações conforme fatores como temperatura, composição do esgoto e volume recebido. A autarquia também explicou que 12 dos 18 aeradores estão fora de operação desde janeiro, devido a picos de energia. Em fevereiro, uma tubulação também se rompeu em razão das fortes chuvas.

Mesmo com essas dificuldades, a estação representa um avanço importante para Oliveira. Em funcionamento desde 2021, ela trata mais de 93% do esgoto da cidade — volume que chega a quase dois milhões de metros cúbicos por ano — contribuindo diretamente para a preservação do Córrego Maracanã. Em 2023, o uso de um produto químico ajudou a controlar o odor, mas as reclamações voltaram este ano. A prefeitura já anunciou uma licitação para a substituição dos aeradores por modelos mais modernos.

Para o deputado Lucas Lasmar, é preciso garantir que esse tipo de serviço continue cumprindo seu papel ambiental sem trazer prejuízos à qualidade de vida da população. “A estação de esgoto tem um papel fundamental na preservação dos nossos rios, mas também é preciso pensar em quem mora próximo. Já existem soluções técnicas que ajudam a reduzir o impacto. Nosso projeto busca transformar essas boas práticas em regra”, afirma.

Além das situações pontuais em alguns municípios, o parlamentar destaca um cenário mais amplo: embora 77,6% dos mineiros tenham acesso à coleta de esgoto, apenas 42,5% do volume coletado é tratado. Esse desequilíbrio tem consequências diretas para a saúde pública. Em 2024, Minas Gerais liderou o ranking nacional de internações por doenças ligadas à falta de saneamento, com 47.612 casos — o equivalente a 22,3 internações a cada 10 mil habitantes.

“A coleta é importante, mas precisa ser acompanhada do tratamento adequado. E esse tratamento deve funcionar de forma completa, contínua e respeitosa com a população”, conclui Lasmar.